A Astrologia e a Relação com o Tarot

 A título de desafio foi-me pedido que escrevesse um artigo sobre a Astrologia e o Tarot, e onde estas duas práticas se aproximam ou se afastam.

Pois bem, demorei algum tempo a pensar quais os pontos que existem, ou não, em comum e, imaginem, concluí que pouco ou nada incompatibiliza ou afasta uma prática da outra. Sendo eu Tarólogo e Astrólogo muito dificilmente conseguirei ser isento e não colocar tantos anos de experiência espelhados neste artigo.

Existem, sobretudo, três coisas que podem distinguir uma prática da outra:

 

A aprendizagem da Astrologia é mais consistente e mais clara. Um Marte em carneiro, por exemplo, é aprendido e transmitido sempre da mesma forma, enquanto a interpretação do Tarot depende muito da nossa própria vivência e da forma como assimilamos e sentimos as imagens da carta. Uma Imperatriz, por exemplo, pode mudar de significado quando se muda de tarólogo. Considero as bases de estudo da Astrologia mais sólidas e consistentes. A Astrologia vai crescendo com anos e anos de estudo, estatísticas, etc., e acaba por ser muito mais linear, visível e comprovável que o Tarot onde cada um pode reinventá-lo e transmiti-lo de forma completamente diferente daquela que aprendeu. Na Astrologia não, podemos enriquecer o conteúdo mas as bases são sempre as mesmas.

 

A Astrologia ao longo dos anos tenta demarcar-se por ser mais científica e mais séria existindo até, atualmente, um certo incómodo em relacionar a Astrologia a algo superior ou espiritual, sendo já ensinada em universidades, como no caso do Brasil. No entanto, tendo em conta a minha experiência, quem acredita em Astrologia acredita no Tarot e vice-versa, acabando por ser o Tarot, muitas das vezes, a ponte para as consultas de Astrologia.

 

O tempo previsto em Astrologia é muito mais certeiro, fiável e explicável quando relacionado com o Tarot.

A partir daqui as semelhanças e compatibilidades são mais que muitas, eu diria até que a interação das duas é uma das ferramentas mais fascinantes que conheço.

 

Quer a Astrologia quer o Tarot começaram por ser métodos de previsão do futuro e, com o passar do tempo e com a evolução natural, são hoje ambas usadas como ferramentas de auto ajuda, auto conhecimento, orientação, desenvolvimento das potencialidades de cada um, etc.

Quer a Astrologia quer o Tarot foram crescendo e criando diversas áreas cada vez mais específicas, como é o caso da Astrologia kármica ou Tarot kármico ou mitológico, por exemplo.

 

No meu ponto de vista, a Astrologia e o Tarot complementam-se e muito. Quando dou uma consulta de Tarot em que tenha todos os dados de nascimento do cliente, opto por fazer o mapa natal e, assim, poder comparar as tiragens com o próprio mapa. Por exemplo, se o Tarot prevê uma altura menos boa em questões financeiras isso tem que estar refletido no mapa através dos trânsitos, por exemplo, ajudando-nos a decifrar em que altura ou intervalo de tempo isso é válido. Quando um não coincide com o outro algo está errado e, geralmente ou quase sempre, podemos verificar que a hora que foi dada para o cálculo do mapa está incorreta.

Quando unimos as duas ferramentas chegamos muito mais longe e a informação é muito mais complexa e detalhada, pois o Tarot pode ajudar-nos a olhar para um mapa com outros olhos, sendo que o contrário também é válido.

O que quer que se veja num mapa ou numa tiragem de Tarot tem que estar em consonância e isso, por vezes, faz-me procurar informações no mapa que, à priori, não seriam tão visíveis ou claras.

Nos meus cursos de Tarot quando existem alunos com conhecimentos de Astrologia, faço sempre uma ponte entre ambos. Uma Imperatriz, por exemplo, tem muito a ver com a comunicação e raciocínio de mercúrio e a diplomacia, o bem receber e o charme que são características de vénus. É claro, então, que a imperatriz é uma mistura de qualidades de dois planetas à luz da Astrologia. Cada Arcano do Tarot tem um ou mais planetas que o podem representar. O Eremita faz-me sempre lembrar um Saturno, se dissonante tenho a imagem de um Eremita invertido.

Quando no mapa existe um trânsito por exemplo de plutão por uma 12ª casa ou dissonante, existe sempre uma tiragem com alguns arcanos representativos ou equivalentes a este trânsito que, neste caso, seria uma saída constante do Arcano a Morte a indicar mudanças e transformações.

Um Neptuno em Peixes em trígono a um Júpiter, por exemplo, faz-me sempre pensar no Arcano A Estrela e vice-versa. Claro que, por vezes, não é assim tão linear e temos que olhar para um conjunto de Arcanos para espelhar o que o mapa diz.

Como disse a relação ou compatibilidade entre a Astrologia e o Tarot é fascinante e muito rica. Como exercício façam um teste. Peguem num caso real, façam uma pergunta concreta ao Tarot e depois façam uma horária em Astrologia, e vejam as semelhanças da resposta ou enriqueçam uma com a outra, talvez fiquem surpreendidos.

Agora não quero com isto unir necessariamente ambas as práticas, elas são independentes e não precisam uma da outra para funcionarem. São duas ferramentas distintas que nos fazem chegar ao mesmo lugar.

 

Tarólogo e Astrologo Fábio Ludovina

A Equipa Fábio Ludovina

www.fabioludovina.com